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Reportagem do O Estado de S.Paulo do dia 24 de maio de 2007

A riqueza da raça humana
Na mostra realizada em Barcelona, Espanha, retratos da editora de fotos do Jornal da Tarde, Mônica Zarattini

Simone Biehler Mateos

Por que os museus separam os conceitos de ciência e arte, quando uni-los é tão mais rico e estimulante? Esta é a premissa que norteia o Cosmocaixa de Barcelona, o Museu da Ciência que em 2006 atraiu dois milhões de visitantes e ganhou o prêmio de melhor da Europa. É ali que tem lugar a exposição Viva a Diferença!, o tesouro mais valioso dos últimos bilhões de anos, um elogio à diversidade biológica e cultural e um alerta contra os riscos da sua destruição através de um passeio por coleções de insetos, sementes, folhas, fósseis, obras de arte, fotos, esculturas e até documentos sonoros.

A mostra inclui 35 retratos ilustrativos da diversidade étnica e racial de São Paulo feitos por Mônica Zarattini, editora de fotografia do Jornal da Tarde.

As fotos, de frente e de perfil, montadas em cubos luminosos que pendem no espaço, são um dos elementos mais chamativos da mostra que inclui coleções com centenas de borboletas, coleópteros e folhas de todas as formas, cores e tamanhos imagináveis, ilustrações dos cinco reinos animais feitas pela norte-americana Christy Lyon, esculturas do catalão Eudald Serra, dezenas de milefioris (peças trabalhadas em vidro) que vão do século 1º do Império Romano aos dias de hoje, além de desenhos de moléculas de DNA feitos pelo próprio James Watson - aquele que, junto com Francis Crick, foi o primeiro a descrever sua estrutura, em 1953.

“As peças foram escolhidas para arrebatar o visitante por sua beleza e ordenadas para levá-lo a refletir sobre a relação que têm entre si”, explica o físico Jorge Wagensberg, idealizador da exposição e diretor da área de Ciência e Meio Ambiente da Fundación La Caixa, mantenedora do museu. Com isso, ele pretende dar um contundente alerta em favor da diversidade.

A exposição tem quatro âmbitos: a diversidade inerte, a vegetal, a animal e a humana, incluída porque, nas palavras de Wagensberg, “com a globalização, a diversidade cultural passou a estar tão ameaçada quanto a biológica”.

A mostra de diversidade humana passeia tanto pela biologia como pela cultura. Ali se pode ouvir “olá” em 300 idiomas e observar a coleção de cabeças esculpidas por Eudalt Serra, artista catalão da primeira metade do século 20, que dedicou a vida a viajar e retratar os diferentes povos. Ao lado, as fotografias de Mônica Zarattini mostram a diversidade e miscigenação de São Paulo.

“As duas coleções refletem a riqueza de tipos humanos em épocas diferentes: uma em que as viagens eram raras e os povos se misturavam pouco e outra que é a época das imigrações e seu resultado numa cidade que é o exemplo vivo da diversidade étnica mundial”, explica Wagensberg, que conheceu a obra de Mônica numa viagem a São Paulo, quando uma amiga o levou a uma exposição de fotos sobre Cuba, com trabalhos dela e de Cristiano Mascaro.

Quando surgiu a idéia da exposição, Wagensberg procurou Mônica com uma encomenda precisa: queria fotos de seis “raças” puras (negro, índio, japonês, chinês, branco loiro e branco moreno) e das mais variadas combinações entre elas, de forma que o perfil da mistura ficasse claro pela identificação de pais e avós.

“Foi uma pesquisa intensa para encontrar representantes de quase todas as mesclas, que soubessem identificar com certeza a origem étnica de seus antepassados”, conta Mônica, que participa com a exposição do 8º Mês Internacional da Fotografia. No total, a mostra exibe 3.075 peças reais, oito módulos interativos com fenômenos naturais que favorecem a diversidade e seis metáforas “museísticas”, uma delas apresentando os mecanismos de funcionamento da seleção natural.

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07/05/2007 Publicada por Mônica Zarattini


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